quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tempo Perdido.


Meus olhos estão transbordando de sofrimento. Eu queria estar na rua, perdendo a minha insanidade, mas estou aqui amordaçado pela saudade do seu colo. Meus braços têm cicatrizes que contam histórias, minha boca tem a sedução de todos os Deuses, e o teu corpo tem a perfeição que me falta. Roupas no chão, sapatos travando a passagem. Eu queria gritar para todos saberem o quanto estou em pânico. Minha garrafa esvaziou, assim como meu sentimento por você findou. Estou a pão e água do seu carinho, só queria ter você agora, para acabar com meu pânico. Estou morrendo e ninguém se importa. E numa manhã qualquer, meu nome virou manchete. Era o fim do meu estado novo, da minha conquista. A vida me libertou de sua ditadura, e a morte me estendeu sua capa preta, e se revelou um anjo sensual e virtuoso, melhor do que eu pensava. Não era o fim, era o recomeço, além das sombras que meus olhos enxergavam.

(Denis Scarpa)

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