quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A origem.


A magia da constante indecisão
Seu cérebro quebrado pelas lembranças
Perdido pela eterna excitação
Correndo em busca de esperanças
Mordido pela sua condenação

Você pula na mesa e grita
Sentindo a fúria da sua origem
Que na sua mão áspera palpita
Sendo engolido por sua vertigem

As lágrimas caem em silêncio
A tinta seca no seu coração
A dor te atravessa como o infinito
Que clama por ser lembrado
Mais do que um tolo esquecido

(Denis Scarpa)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Proteste já!


Todos nós tiramos um pré conceito de qualquer coisa, é uma regra instalada em todo ser humano, por mais diferente que você seja, você têm essa mania de criticar (mesmo que por pensamento) algumas pessoas e suas idéias. Em referência a isso, cada qual com seu igual? Errado. Um gay não pode abraçar a mesma ideia que eu? Um funkeiro não pode fazer medicina? Uma mulher não pode ter autoridade? Um homem não pode ser o segundo melhor? Claro que sim. A ideia de se viver em harmônia é exatamente isso. Harmônia não é viver junto, é simplesmente respeitar os seus semelhantes. Curtir som pesado, namorar uma gostosa, tatuar o caralho a quatro no braço, ficar bêbado com muito não te faz mais homem do que eles. E acredite, homofobia e pré conceito são coisas bem diferentes, pode acontecer a qualquer um, até com o seu filho. Pensem nisso, e julguem as pessoas pelo caráter delas, não pelo que elas aparentam ser. O mundo terá muito mais futuro com esse tipo de raciocínio.

(Denis Scarpa)

Janela.


Acordei com saudade da sua voz
Sussurrando amor no meu ouvido
Fazendo da lembrança meu algoz
Um presente para o jovem contido
Olhei para o lado com desespero
Simplesmente você tinha partido

As gotas do vinho secaram na mesa
Suas cartas perderam seu perfume
Meu anseio por você não me dá paz
Desejar-te todos os dias virou costume
Gosto de imaginar que contigo sou capaz
Andar sobre a água sem medo de me afogar

Eu sei que poderia ter lutado um pouco mais
Ter feito do nosso ninho um lugar mais quente
Mas o seu medo em me perder me assustou
E agora eu vejo você pela janela da minha vida
Indo e vindo, como se um dia fosse voltar
Sou apenas um guerreiro que decidiu amar

(Denis Scarpa)

Conde sedutor.


Somos envolvidos levianamente pela carência que o destino nos entrega. No meio da excitação, existe um risco de ficar perdido no meio da multidão. Entre um trocadilho e outro, as farpas de sua língua se tornam fagulhas no meu peito. O vexame de ter você ajoelhada aos meus pés, me torna tão soberano como formigas a penúria do sol quente. O desespero que toma conta do cálice que eu bebo me torna tão sensível a realidade dos fatos, que eu fico promiscuo e confuso a qualquer desempenho ignorado pelo destino. Deleitando minha língua sobre suas fotos, percebo a saudade que sinto da sua carícia, de ficar enrolado em um edredom, totalmente nu aguardando o efeito da minha overdose nos seus seios. Vira-me então um palhaço sorrindo, e com vigor e satisfação me entrega jasmins à moda antiga, como se fosse me conquistar. Gozado pelo destino, amado pelo senhor. Vingado pela morte, um beijo do conde sedutor.

(Denis Scarpa)

sábado, 15 de outubro de 2011

Incerteza de amar.


A certeza do amor. É isso que falta na minha vida rotineira. Acordo todos os dias com um vazio ao meu lado, e às vezes penso ser você. Sinto como se pudesse ficar sóbrio, como se pudesse ficar sem outro alguém além de você. Sinto que posso arriscar e não terei medo de me cortar, de me partir. De ver o mundo girar enquanto eu ficarei estagnado no mesmo lugar. Acompanhe o meu dom e venha comigo no caminho da esperança, pois é de você que eu clamo. Gostaria de ter a certeza do seu amor, mas isso me falta por completo. Até lá imagino como é ser seu, como é você ser minha. Imagino uma vida a dois, mesmo que ela dure alguns suspiros e nada mais.

(Denis Scarpa)

Hora do prazer.


A luz das velas iluminava a fornicação de nossas carnes. Seus olhos marejavam de dor, como se fosse me perder para a morte. Sua pele transpirava te deixando a beira da secura. O prazer carnal te envolvia de um modo, que você se sentia sem fôlego e sem chão. Mesmo com apenas a anágua levantada e alguns botões entre aberto, estávamos prontos para o sexo. O aroma do ambiente nos excitava de uma maneira incomum. Fazia com que os fracos tivessem poder diante do universo da tentação. A ternura do entrelace de suas pernas, me sufocavam a ponto de implorar por mais. Todo homem precisa disso, todo homem clama por seu momento tentador. É só olhar para dentro e retirar todo o mal que existe dentro de nós, olhe bem para dentro e tente tirar tudo de melhor que você tiver. Acredite, na hora do prazer, o mal te salvará.

(Denis Scarpa)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Apenas um sonho ruim.


O mundo morre para você. Você fica sem chão, sem ar. Busca condições num medo de acordar. É o medo de perder quem se ama. Pois a coragem do homem não tem mais razão do que apenas questionar seu próprio meio de temer essa sensação. Afogando-se no seco, perdido no claro, questionado no incerto, morto na vivência. O som do anjo cintilante vindo na sua direção, pronto pra sugar seu prazer, te fazer um escravo do fervo infernal, do consolo perdido do universo enclausurado.

(Denis Scarpa)

Três dias.


Levantei-me das nuvens cálidas dos meus sonhos, acreditando ser um monotipo qualquer. Coloquei meus pés no chão e ergui minhas asas até tocar suas mãos no meu pensamento. Talvez seja um portal que o destino nos torna. Uma razão sem perdão, um medo sem existência. Faz com quem encontremos asas e voemos do inferno até encontrar as chamas do céu e nos queimar. Deitar e acordar com beijos são o melhor exemplo que um homem pode ter de paraíso. Três dias são suficientes para saber o que é amar. Três dias são suficientes para morrer. Três dias são suficientes para tentar novamente a inconseqüente maneira de fazer valer cada momento em que se levanta em busca de um olhar.

(Denis Scarpa)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O libertino.


Uma desigualdade pelo inconstante descontrole do prazeroso poder de sentir prazer. Uma razão pela qual é tão breve e imbatível, que mais parece um coito de um galinho cobiçado pela ansiedade do desconhecido. É um ponteiro no relógio da infidelidade. É uma chuva no meio do deserto. É uma gota de sangue na presa do destino. A esnobe reação ao aparentar saber mais do que os demais, é também um revólver apontando para sua própria genitália. O amor é um musgo que nos apodrece com o tempo. Faz do nosso encanto um afogamento a qualquer outro sentimento. O grito de prazer é emudecido pelo contraste do término. O relaxo de nossos devaneios só nos faz ficar ainda mais promíscuos. E quando tudo parecer um beijo de um libertino, tudo que se senti é a saliva do encantador beijo da morte.

(Denis Scarpa)