terça-feira, 18 de outubro de 2011

Conde sedutor.


Somos envolvidos levianamente pela carência que o destino nos entrega. No meio da excitação, existe um risco de ficar perdido no meio da multidão. Entre um trocadilho e outro, as farpas de sua língua se tornam fagulhas no meu peito. O vexame de ter você ajoelhada aos meus pés, me torna tão soberano como formigas a penúria do sol quente. O desespero que toma conta do cálice que eu bebo me torna tão sensível a realidade dos fatos, que eu fico promiscuo e confuso a qualquer desempenho ignorado pelo destino. Deleitando minha língua sobre suas fotos, percebo a saudade que sinto da sua carícia, de ficar enrolado em um edredom, totalmente nu aguardando o efeito da minha overdose nos seus seios. Vira-me então um palhaço sorrindo, e com vigor e satisfação me entrega jasmins à moda antiga, como se fosse me conquistar. Gozado pelo destino, amado pelo senhor. Vingado pela morte, um beijo do conde sedutor.

(Denis Scarpa)

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