sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O tigre e a neve.


Eu canto o seu nome, palavra que abre as portas do paraíso. Eu não vou te perder nunca, se os Deuses permitirem. Quando você me beija, os cavalos do apocalipse saem correndo. E quando penso no teu corpo, tão complicado e vago, o chão se abre sob meus pés. A sua divindade feminina sobe aos céus. Você é linda. Você, girassol embriagado de luz, todas as vezes que seus olhos se levantam o sol se acende. Amigos, eis que a terra como uma mãe amamenta sua criatura mais linda. Todas as criaturas estão no ápice da paixão. Da minha garganta até as estrelas minha palavra se lança como um cometa dourado. Eu te amo. Quero fazer amor com você agora. Me beija?”

“Ele sim que é um poeta. Ele era muito jovem e amava uma mulher e casou com ela. Depois de um tempo quando ele foi para a guerra, ele recebeu a notícia que sua mulher acabou contraindo varíola e ficou desfigurada. Sabendo disso, ele disse ‘meus olhos doem, e depois disso eu fiquei cego’. E depois de doze anos, quando a sua mulher morreu, ele abriu os olhos. Para não magoar a mulher que estava com ele, fingiu estar cego durante doze anos. Cada pessoa é um abismo, você fica tonto se ficar olhando para baixo. Ele nunca explicou isso para ninguém”

“Consegue essa glicerina, vai?! Eu sei que você sabe. Por que se não conseguir, ela vai morrer. Ela morre. E se ela morrer para mim tudo o que existe, neste mundo todo que gira, podem levar tudo embora. Podem até acabar com tudo. Pode enrolar o céu e colocá-lo num caminhão de reboque. Podem apagar tudo! Até essa luz do sol belíssima do sol que eu amo tanto, tanto. Sabe por que eu a amo tanto? Porque eu amo vê-la iluminada pela luz do sol, tanto. Podem levar tudo embora. Esses tapetes, as colunas, as casas, a areia, o vento, as rãs, as melancias maduras, a chuva de granizo, às sete da noite, maio, junho, julho, o manjericão, as abelhas, o mar, as abobrinhas.”

(La tigre e La neve)

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