terça-feira, 16 de agosto de 2011

É bom lembrar da infância, dos nossos anos incríveis.


Nunca fui solitário, pois sempre tive a mim mesmo para brincar. Caçava coisas que pudessem servir de armas, tochas, bussolas, decorava filmes e os refazia do mesmo jeito, do meu jeito. Não via o tempo passar, não me imaginava crescido, maduro. Na verdade, ainda não me vejo assim. Sempre me imaginei feliz com uma bela mulher do meu lado, me dando dois filhos, um casal. Mas isso poucas vezes tomou conta do meu raciocínio. Queria mesmo era brincar, ouvir música agitada e ficar girando sem parar no meio da sala. Adorava ficar sozinho. Me imaginava num grande filme de ação no qual eu era protagonista. Sempre gostei da idéia de ser um super herói. O meu favorito era aquele que eu tinha na imaginação, saindo do meio das chamas, dos escombros, carregando uma criança e sendo seguido pela multidão que acabara de salvar. Diversas vezes, fui castigado verbalmente pela Deusa que me concebeu ao mundo, por ficar até o raiar do dia fazendo a minha maratona de filmes favoritos que eu tinha em casa. Passavam-se os dias e eu ainda tinha poucos amigos na visão familiar. Eu era caseiro. Mas era em casa que me sentia seguro. Por conta dessas aventuras, hoje tenho facilidade de ficar acordado por um bom tempo. Não digo que fui um garoto sonhador, apenas tive uma imaginação bastante fértil. Chegou então o dia em que eu simplesmente dormi. E o garoto que existia dentro de mim, que adorava brincar e fazer as pessoas sorrirem, cochilou. Um dia então acordei, olhei fundo para o reflexo dos meus olhos e disse “eu quero crescer”. E cresci. Conheci as coisas boas da vida. Como uma nota suave, fui me guiando e fluindo até os caminhos que Deus me mostrava. Conheci bebidas, mulheres e sentimentos. Coisas que fariam tanta parte da minha vida, que por instantes longos eu havia transformado o que acontecera com o garotinho, de cochilo para um coma induzido. Foi duro crescer. Esqueci de tanta coisa que me animava, me alegrava, me fazia querer viver. E então, eu acordei o garoto eterno dentro de mim. E hoje ele toma conta de mim. Fazer com que as pessoas sorriam é a melhor coisa que eu gosto de fazer. Ser diferente e ser tachado como esquisito? Já to mais que acostumado. Carrego isso comigo, desde quando eu era apenas uma criança que queria crescer. Agora hoje sou um homem, que jamais abandonará a criança dentro de si, e os verdadeiros amigos que fizeram de uma simples brincadeira imaginária, uma fonte de vida eterna.

(Denis Scarpa)

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