quarta-feira, 27 de julho de 2011

O beijo da morte.


Um amor mal apresentado, nunca será totalmente acreditado. O amor perdeu sua graça. Suas pétalas foram queimadas até a base, junto as cinzas daquelas lembranças. O anjo se afogou na agonia prazerosa do sofrimento. O fogo que queima minha pele é um fardo que tenho que carregar. A vida perdeu a luz, ficou até mesmo sem sombras. Está vazia. Vivemos entre anjos e demônios, não há diferença entre eles, todos são perigosos. A máscara que um sorriso carrega é tão perigosa como a própria maldade. E entre todos os cantos do mundo, o mais desprezível é aquele que habita a esperança. Pois quem se alimenta dela, acaba por morrer de fome. Sua voz invade minha cabeça, e faz de tudo uma completa loucura. As trevas estão plantadas em meu jardim. E o meu mundo se fecha para os demais, e a beleza não consegue entrar. A ingenuidade consegue salvar uma pessoa, até o momento de sua eterna dor ser concebida. A impiedade de um gesto de mão, faz uma vida se perder atrás das grades. E a solidão, o amor, e a beleza terminam por morrer. Tantos anos se passaram, mas minha amargura consegue ainda me adoçar. E a melodia que me enfeitiça, me faz contar os passos do meu regresso. Eu voltei! Com força para poder controlar a dor. Agora sinta o meu toque, tão delicado e perfeito, assim deve ser vista a morte. Meus olhos queimados, meu coração frio. Minha vida parecer ter sido baseada numa mentira, a maior de todas foi acreditar no questionável. E agora, dor. As trevas mostram sua beleza em minhas afiadas e cintilantes aliadas.

(Denis Scarpa)

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